Tuesday, August 19, 2008

Pois é, só ele me entendia e agora vou vivendo sem ele



e sem alegria.

Wednesday, August 13, 2008

(Your love keeps lifting me) higher and higher

Algumas pessoas são donas de certas músicas, é fato. E elas (as pessoas) não precisam nem ter composto a letra ou participado da gravação para serem donas; a autoria, nesse caso, é emocional. Repare: por causa de determinada pessoa, certa canção que antes seria apenas mais uma torna-se bastante especial, quando não sagrada. Aí basta ouvir um trecho dela no rádio ou basta que comece a tocar no - nessas horas nada - shuffle do iPod e pronto, você é instantaneamente transportado a um momento que só você e a pessoa em questão viveram. E é agora que a mágica, sempre a minha parte favorita, acontece: de uma até então memória musical, aquilo que é basicamente a soma de acorde, arranjo e melodia passa a ter também nome, sobrenome, rosto, gosto, cor, estação, beijo, cheiro, choro, vida. Tudo por culpa (ou mérito) do dono (ou dona) da música.

Tuesday, August 12, 2008

In case you're wondering

Pareço chata, deprimida e nhenhenhé mas ó, mó legal, eu.

Monday, August 11, 2008

Cara

Eu preciso chorar. Sentar e chorar, simplesmente. Tão secos esses meus olhos em detrimento da vida que degringola e não é que eu esteja segurando o choro, não é isso; ele é que insiste em tentar emergir apenas nos momentos mais inoportunos.

No metrô, não. Com gente que acabei de conhecer, não. Na frente do meu chefe, não, tá doido?, e assim os meses vão passando, o que era ruim pior vai ficando e quando menos percebo, como é mesmo que se chora? Esqueci.

E já que a bola da vez são as olimpíadas – batendo a mão na coxa de tanto rir do trocadilho –, my own personal record: um ano inteiro me fodendo e nenhuma lágrima derramada. Será que hoje me tomam esse ouro? Parece. Sabe o cheiro de terra molhada antes da chuva? Então.
Você nunca mais disse que me ama, ela comentou tristezinha.

Eu te amo, ele mentiu - triste por ter que mentir.

Friday, August 1, 2008

Pequenas considerações de grande importância ou interrompemos a nossa programação normal para ah, você sabe

Aquele velho princípio de que toda escolha tem conseqüência se aplica também às más escolhas, aprendi essa semana.


Requer muito esforço levantar todos os dias para viver a mesma vida, também aprendi.


Eu iria tão mais longe se apenas não me censurasse tanto.


Mais que perdoar as pessoas, preciso perdoar a mim mesma.


Temerosa de que descubram quem realmente sou e, decepcionados, me abandonem, saio na frente e abandono as pessoas primeiro, todas elas. Não dou chance para ninguém. Aí é engraçado porque topando comigo na rua (tá, na Internet) e tendo o invariável/agradável papo de costume você jura que sou incrível e independente e madura e extrovertida e que não sofro por amor e que nunca me magôo e que supero os perrengues da vida sempre de cabeça erguida, bastando, porém, você sair para eu pensar é, enganei mais um, abandonei mais um. Melhor assim, acrescento; o contrário eu jamais poderia suportar.


Quando bem triste, releio alguns dos e-mails que ele mandava e é como se de repente eu fosse invadida por uma onda gigante de alegria.
Um dia ainda me afogo nela.


I'm lost, but I'm hopeful; I'm wrong and I'm sorry, baby.


Depois da pior semana do ano, o mantra: return your life to the upright position.


Flávia segundo David:


Flávia segundo Eric:


Não consigo decidir de qual gosto mais. Me ajuda? : )

Wednesday, July 30, 2008

Tree Huger

De acordo com uma pesquisa dela-que-não-deve-ser-mencionada, Goiânia é a cidade mais arborizada do Brasil. Arrisco dizer, aqui por minha conta, que é também a mais florida - um espetáculo à vista. Você não sabe (and this is where I get really emotional), mas o projeto de arborização de Goiânia começou quando eu ainda era uma criancinha, uma iniciativa do então prefeito da capital, professor Nion Albernaz, em parceria com os senhores meus pais.

Veja bem, naquela época não era hype ser green. Reciclagem de lixo, fair trade, desenvolvimento sustentável, não se falava de nada disso. Ninguém sabia o que era isso. Aparentemente a única coisa que as pessoas sabiam fazer era criticar - o que de lá para cá não mudou muito -, mas num tempo em que a cidade não era nem totalmente asfaltada, papai e mamãe saíam de casa antes do sol raiar e não muito antes do raiar seguinte voltavam, as mãos calejadas de cavar buraco, as roupas e sapatos imundos de terra e adubo. Me lembro com saudade das inúmeras vezes em que o quintal de casa foi tomado por centenas de mudinhas de planta e de como eu e o meu (até então único) irmão gostávamos de brincar no meio delas.

Vinte anos depois você caminha por Goiânia e vê verde por todas as partes. Vinte anos depois o goianiense sai de casa e onde quer que pare há sombra. Vinte anos depois, quando o mundo apenas ensaia os primeiros passos rumo à uma conscientização ecológica, Goiânia já colhe os frutos da atitude pioneira (sim senhor) de pessoas visionárias (sim senhor). Na época eu era muito novinha para compreender o impacto que tudo aquilo teria, mas hoje não caibo em mim de orgulho por pensar que cerca de metade das árvores da cidade mais arborizada do Brasil foram plantadas por meus pais. Faz sentido, então, eu ser vegana. Essa urgência de mudar o mundo - inocente, não importa - faz bastante sentido também. The apple doesn't fall far from the tree, descobri, assim, uns vinte anos depois.

Tuesday, July 29, 2008

Não é?

Leite de soja deveria na verdade se chamar suco de soja.
A não ser, é claro, que exista soja com teta.

Monday, July 28, 2008

Então

O pai de uma amiga conhece alguém que está construindo um disco voador e eu não serei feliz até conhecer essa pessoa.

O que pode ser mais constrangedor que briga de casal? Voltando do Brasil, um casal batia boca no avião. Porra, será que tenho que falar a mesma coisa dez vezes?, perguntava a mulher em voz alta, ao que o homem respondia ah, vá se foder, vá. Menos por eles e mais por constatar que o amor manda o outro ir se foder, fiquei triste.

Meus netinhos, coitados, nunca dirão "Hmm, a macarronada da vovó". Com sorte dirão "Ah, a macarronada da vovó não é das piores, vai", isso se forem vegetarianos como a vovó, mas mesmo assim serão perpetuamente privados dessa deliciosa experiência dominical-gastronômica, pobrezinhos. Agora que os tempos são outros é provável que digam, enquanto sopram o miojo, "Paiê, vem ver o comercial que a vovó escreveu, corre!" - coisa que eu nunca disse sobre a minha avó, é verdade - mas nah, eu queria mesmo era que elogiassem a macarronada.

Outro dia eu pensava: como é que se treina um pombo-correio? Já pensou que responsabilidade a de um treinador de pombos-correio e mais, imagine você ser um e constatar que uau!, nesse exato momento sobrevôo a Europa inteira e ainda faço cocô na cabeça de quem eu quiser, hee-hee.

Sunday, July 27, 2008

Ninguém perguntou

Mas o meu possível amor tem que ter senso de humor. Tem que principalmente me fazer rir e isso é sério; fazer com que eu ria requer certa dose de genialidade. Tem que ser mais inteligente do que eu. Tem que gostar de bons livros, filmes e ter bom gosto musical. Tem que entender que vou desafiá-lo todos os dias simplesmente pelo prazer (e na esperança) de ser vencida. Tem que gostar de animais. Seria bom se fosse nerd pois amo nerds de um modo geral, mas tudo bem se não for. Tem que me beijar a boca suavemente, morder os lábios levemente e caprichar nas carícias no pescoço, a minha tara. Tem que gostar de beber cerveja e ser PhD em conversa de bar. Tem que preferir a casa dos amigos às baladas. Tem que gostar de comer e se souber cozinhar eu já morro ali mesmo de paixão. Não pode ter vergonha da minha espontaneidade e tampouco de minhas mãos, pés e cicatrizes - físicas e emocionais. Tem que saber que cago para presentes. Tem que questionar o padrão convencional de casamento. Alto, baixo, magro, gordo, loiro, moreno, sãopaulino, não importa. Teria que ser ateu, mas sendo agnóstico já considero. Tem que apoiar a minha necessidade de ficar só. Tem que no mínimo falar inglês. Com relação a sexo, ele tem que ser bom de cama, claro, mas sê-lo naturalmente e mais: precisa estar ciente de que de santa só tenho a cara - ele mais que ninguém tem que ver isso. Tem que ser muito cheiroso e aparar a barba, ai, a barba. Tem que saber escrever decentemente, o que não significa escrever sempre corretamente, senão compreensivelmente. Mas acima de tudo ele precisa ter caráter e entre nós precisa haver respeito e cumplicidade, sem os quais nada do que veio antes faz sentido.

Tuesday, July 22, 2008

Now you know

Anyone who doesn't like The Beatles I usually equal with Satan.

Orgulho de família II

Eu: "Maninho, você nem pra jogar bola que nem o Ronaldinho, né? De pensar na grana que teríamos hoje..."

Ele: "E você nem para ser bonita que nem a Gisele."

Sunday, July 20, 2008

Anota aí

O amor nos dá asas para voar, mas não dá cama elástica para quando elas quebram, esse filho da puta.

Monday, July 7, 2008

Orgulho de família

Eu: "Acredito, maninho, que depois da morte é assim: nada de céu, nada de inferno, nada de nada. Tudo passa a ser como era antes de existirmos. Como na época dos dinossauros, por exemplo. Você não existia, eu não existia e tudo bem, sabe? A vida seguia. O que quero dizer é que voltaremos ao que éramos quando não estávamos na barriga da mamãe..."

Ele: "Entendi. Eu volto pros côco do meu pai."

Saturday, June 21, 2008

Sexo sem compromisso

Em breve em uma balada perto de você.

Friday, June 13, 2008

Au revoir

A quem interessar possa,

Amanhã embarco para Cannes. *levanto da cadeira e danço em comemoração* Não levarei laptop, celular, não sei o nome do hotel, não pesquisei nada sobre a Riviera Francesa, não comprei guia turístico de bolso e, quer saber?, não sei nem se levarei minha câmera. Senhoras e senhores, pela primeira vez em anos de viagem: Flávia Stefani, unplugged.
clap clap clap
"Senhora Flávia, aqui por favor! Senhora Flávia!"
"O repórter de terno roxo com bolinhas em verde-claro", respondo apontando para ele.
"Senhora Flávia, como se sente indo viajar pela primeira vez na vida sem nenhum aparato eletrônico?"
"Estou otimista"

Sério, amigos, cansei do melodrama digital toda vez que ia viajar. Algo do tipo:

Tem Internet no hotel?
Tem bateria suficiente na máquina?
Tem espaço suficiente na memória?
Cadê a capinha da filmadora?
Qual é o código de área?
Responderam meu e-mail?
Alô? Tá me ouvindo?


Not this time. Em minha bolsa francesa apenas chiclé, água, uns trocados e o livro de oitomilsetecentasenoventaecinco páginas que venho lido desde março (oquêi, o iPod vai, sim, mas só pra poupar meus ouvidinhos da mediocridade nos aeroportos). Eletronic gadgets no geral, não. Fiquem quietinhos em casa que a mamãe já volta, tá?
Engraçado, vou ao principal festival de publicidade do mundo - e concorde comigo quando afirmo que poucos eventos podem ser mais 'tecnológicos' ou high-trend que esse -, mas mesmo assim bato o pé. Off(line) I go. Beijomeliga, ou não. (:

Thursday, June 12, 2008

I love you not

Saber lidar com a rejeição e saber lidar com a decepção são duas das lições mais difíceis que qualquer um de nós precisa aprender. E é incrível como essas lições parecem estar atreladas a namoros e romances. Cá entre nós, a dura verdade é que nem todos encontros se transformam em relacionamentos, nem todos relacionamentos se tranformam em casamentos e nem todos os casamentos duram. E sabe o que aprendi a duras penas? Que quando um relacionamento não se tranforma no que eu quero que ele seja, eu tenho mais é que ficar agradecida. Mais dia, menos dia eu chegaria à conclusão de que esse homem - menino, às vezes, infelizmente - não era adequado para mim.

Ainda sobre aprender, e veja se não é interessante, eu realmente não preciso ficar presa a nada que não esteja dando certo. Ora, se o homem com quem saí uma única vezinha não ligar me convidando para uma segunda, se o homem com quem dancei e me diverti a noite toda "perdeu" (humpf!) o meu telefone, se o homem que me abandonou era controlador, egoísta, indiferente, hostil ou simplesmente insensível, se ele não me valorizava e não demonstrava afeto, eu sou é uma mulher de sorte. Eu fui salva! Quão libertador não precisar passar o resto da minha vida divertida-interessantíssima-e-cheia-de-novidades com um zé mané (oh, yeah) que não aprecia minhas maravilhosas qualidades, minha adorável essência, o meu lindo espírito ou a minha personalidade única. Instead, posso gastar minha energia e tempo com pessoas que queiram desenvolver relacionamentos saudáveis e promissores comigo, né não?

Moral da história: o final do nosso romancezinho é prejuízo, sim. Para ele.

Feliz dia dos namorados.

Tuesday, June 10, 2008

Kiss me

Aí a Juju falou que uma das coisas fantásticas a respeito da cidade de Nova York é que as pessoas andam pelas ruas e sabe, é verdade. Em Nova York as pessoas caminham pelas ruas e vão fazendo coisas que gente que anda pela rua faz, que vão desde falar pelo celular e levar o cachorro para fazer cocô - sempre jogando no lixo o cocô que o cachorro fez e imaginariamente enterrou - a beijar-se umas às outras de quarteirão em quarteirão ao longo de trinta quarteirões seguidos e mais, sem dar a mínima para o calor desgraçado que sufoca a cidade no verão.

Sim, essas coisas acontecem em Nova York.

Eu mesma soube de um casal que recentemente saiu para jantar e na hora de ir embora, já bem depois da meia-noite, ao invés da mãozinha levantada e um Ford amarelo que parasse em seguida (porque em Nova York ninguém grita "Táxi!", tá? Isso é só nos filmes), esse casal resolveu ir andando até a casa da moça, que morava a trinta quarteirões de onde estavam e a cada farol vermelho que encontravam pelo caminho os pombinhos davam de ombros, "Oh, well", e simplesmente se beijavam.

Não, simplesmente não.

Eles beijavam aquele beijo de quem há muito quer se beijar, de quem praticamente quer se beijar desde que se conheceu mas que só agora encontrou oportunidade, sabe? Beijo no calor sufocante. Sufocante o beijo ou o calor? Onde fazia mais calor, na cidade ou dentro deles dois? Vai saber. Só sei que eram beijos precedidos por declarações, intercalados com mordidas, interrompidos por suspiros, que geravam confissões, que geravam outros beijos, aquela coisa. E ao que o farol abria o casal atravessava a faixa de mãos dadas, mãos meladas, eca!, uma a ponto de fundir-se na outra. A moça flutuava, o carinha era só sorrisos e você acha? Eles continuavam se beijando depois que atravessavam a faixa! Era por o pé na calçada que a pegação continuava e pô, nesse ritmo é óbvio que o farol seguinte fecharia e o casal voltaria a se beijar e a coisa seguiria assim para sempre, ou pelo menos até que chegassem ao apartamento dela. Até eu sei disso.

Enfim, em Nova York as pessoas ANDAM pelas ruas e vão se beijando de quarteirão em quarteirão por algo como trinta quarteirões seguidos mesmo sob o calor escaldante do verão, eu soube. E ainda morro - de calor e de inveja.

Monday, June 9, 2008

Para Heitor

Friendship is like pissing your pants. Everyone can see it, but only you can feel it's true warmth. Thank you for being the piss in my pants.

Sunday, June 8, 2008

O e-mail mais lindo que recebi

from: SEBASTIÃO TEJOTA
to: flaviastefani@gmail.com
date: Thu, May 15, 2008 at 11:08 AM
subject: saudades
mailed-by: gmail.com

Filha quero que você volte pra mim. Jà não aguento mais esta distância. volte logo. Mil beijos.

-

No dia 15 de maio de 2008, também conhecido como hoje, papai me escreveu esse que foi o seu primeiro e-mail. Now, if you have to ask:

-O e-mail mais bonito que alguém já me escreveu, simplesmente porque o alguém é ele;

-Ele existe e isso basta para me fazer feliz;

-À medida que os anos passam minha admiração por ele só aumenta;

-O diabo do fascínio que sinto por vozes e cheiros de homens vem do fascínio pela voz e o cheiro dele, imbatíveis;

-Adoro quando, após dizermos tchau por telefone, ele não percebe que não desligou e com a ligação no ar eu posso, ainda que por uns minutinhos, ouvir o silêncio ao redor dele, as pausas de sua respiração, posso derreter ao som de suas risadas, essas coisas de filha apaixonada;

-Ele é demais;

-Guardo tudo que ele escreve. Envelopes, bilhetes, os números de telefone que ele rabisca rapidinho num pedaço de papel, os cartões de visita que me dá, tu-do. As coisas que ele diz eu levo no coração; já os objetos que ele toca, sagrados, vão automaticamente para a minha coleção;

-Troco qualquer programa, qualquer convite, qualquer oportunidade por sua maravilhosa companhia;

-E finalmente, se já não fosse filha eu juro que me casaria com ele porque ele é simplesmente o melhor. O bom dessa história é que sou a cara dele. Ponto pra mim.

Walking back to you is the hardest thing that I can do for you

Thursday, June 5, 2008

Quero fundar a religião dos pequenos gestos - eu sendo a principal devota. Se você acha que Deus tem poderes é porque ainda não ofereceu ajuda a alguém que carregasse várias sacolas de uma vez. Não, às vezes nem é preciso tanto. Quer ver? Ontem um amigo e eu comíamos uma guloseima qualquer. Em determinado momento ele precisou de um guardanapo, mas os guardanapos estavam longe, ao que meu amigo levantou, caminhou até eles, pegou um para si e sem que eu pedisse trouxe também um para mim. Ah, a gentileza na sutileza. Perceba: eu não precisei falar. Ele, sendo o homem atencioso que é, de cara já considerou a minha necessidade. Beautiful.